sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Vespas

Fui ver uma exposição temporária que está no Museu do Design e da Moda, é uma colecção de scooters de um senhor chamado João Seixas e tem motorizadas desde que começaram a ser construídas, depois da segunda guerra mundial. Aprendi que aquelas motas chamam-se scooters porque a palavra inglesa "scoot" quer dizer andar muito depressa. Por cá, chama-se lambretas.
Uma das marcas mais conhecidas é a Vespa porque as scooters parecem ter o feitio desse insecto. Foi um italiano que as baptizou assim. Há scooters para todos os gostos, eu gostei muito de uma que tem lugar para um passageiro ao lado, um carrinho para levar as malas atrás e ainda tinha um cesto de piquenique! Vão lá ver qual é!
Quando tiver 16 anos gostaria de receber uma Vespa!
Leonor


PS: E ainda aprendi parte de um poema do António Gedeão que fui procurar e é assim:


"Poema da Auto-estrada



Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.

Leva calções de pirata,
vermelho de alizarina,
modelando a coxa fina,
de impaciente nervura.
como guache lustroso,
amarelo de idantreno,
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.

Fuge, fuge, Leonoreta:
Vai na brasa, de lambreta.

Agarrada ao companheiro
na volúpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.
Grita de medo fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa e bem segura.

Com um rasgão na paisagem
corta a lambreta afiada,
engole as bermas da estrada
e a rumorosa folhagem.
Urrando, estremece a terra,
bramir de rinoceronte,
enfia pelo horizonte
como um punhal que se enterra.
Tudo foge à sua volta,
o céu, as nuvens, as casas,
e com os bramidos que solta,
lembra um demónio com asas.

Na confusão dos sentidos
já nem percebe Leonor
se o que lhe chega aos ouvidos
são ecos de amor perdidos
se os rugidos do motor.

Fuge, fuge, Leonoreta
Vai na brasa, de lambreta. "

Esta é mesmo uma Leonor finge que tem medo, mas não tem!

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